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A BUSCA ATRAVÉS DA MEDITAÇÃOTodos nós, quando estamos determinados a evoluir espiritualmente, nos deparamos com a questão do contato com o divino. Seja através de preces, orações ou experiências sensoriais, vivenciadas dentro ou fora de instituições religiosas, procuramos sempre nos aproximar de Deus, seja esta a nomenclatura usada ou qualquer outra. Mas será que temos procurado no lugar certo? Há tempos somos doutrinados a procurar um Deus que, além de fora de nós mesmos, está demasiadamente longe. Quando construímos igrejas imponentes demais, com cúpulas altas demais (como foram feitas nas igrejas góticas, já imprimindo a idéia da impossibilidade de se alcançar o divino) ou quando ensinamos às nossas crianças a rezarem a um “papai do céu”, estamos sempre afirmando que nós, definitivamente, não somos Deus. Porém, quando nos recusamos a aceitar “verdades” impostas e começamos a pensar, percebemos que em cada um existe a semente da divindade. Ao invés de pedirmos, suplicarmos a um Deus que está fora de nós - o mesmo que está distante demais para ouvir-nos - podemos voltar-nos para nossa própria divindade, abandonando, de uma vez por todas, a postura pretensiosa e acomodada de que alguém fará por nós. Porque, afinal de contas, se somos nós que criamos toda a miséria, desamor, guerras, injustiças e caos, não podemos pedir a quem chamamos de Deus que venha acabar com a confusão. Temos que dar conta da nossa própria bagunça. E é justamente na certeza de que todos os seres humanos são Budas em potencial, seres que despertam para a verdadeira realidade, que se baseia a filosofia budista. Dentro deste pensamento, cada ser contém em si o caminho para a própria iluminação, isto é, o despertar para a plena consciência, eliminando a ignorância, que é a causadora de todos os sofrimentos humanos. Ainda na sabedoria budista, encontramos as “Quatro Nobres Verdades”, que são: - “Tudo é transitório e, portanto, causa sofrimento” - “Sofremos porque buscamos a realização em algo transitório” - “Podemos evitar o sofrimento se deixarmos de procurar pela felicidade em acontecimentos transitórios” - “Há uma metodologia para isso” A metodologia é a meditação. E foi dessa maneira que o príncipe Sidarta Gautama, há mais de 25 séculos atrás, iluminou-se, tornando-se o Buda, como é conhecido. Erro comum é acharmos que nunca poderíamos fazer o mesmo por nós, talvez pela cultura religiosa nos incutir que somos pecadores irremediáveis. Mas é nesse momento que começamos a nos libertar, quando entendemos que somos, sim, capazes. Meditar é o início de um esforço para controlar a mente, treiná-la para servir ao indivíduo e não ao contrário. Só através da meditação podemos perceber (e, depois, apaziguar) o fluxo de pensamentos, quase sempre sufocantes que, de tão acostumados, já nos parece normal. É para libertar a mente dessa tormenta de pensamentos incontroláveis que se destina a meditação. Quando uma pessoa inicia a prática da meditação, costuma ter a impressão que seus pensamentos nunca estiveram tão desenfreados. Porém, isso mostra justamente o contrário, isto é, que o praticante está conseguindo produzir um certo distanciamento e percebendo o quão agitados sempre foram seus pensamentos. O que quer que surja, enquanto medita, não encare como um desafio ou problema. Somente deixe que o pensamento venha e da mesma forma se vá. Não importa o que se perceba pensando:; simplesmente não o alimente, não lhe dê extrema importância, ou seja, não se apegue. |