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A BUSCA ATRAVÉS DA MEDITAÇÃO - Página 2O principal é ter a consciência dos benefícios da prática da meditação. A mente só pode receber a realidade quando está em absoluta tranqüilidade, nada exigindo, nada ansiando, nada pedindo, quer para si mesma ou para os outros. Com a mente tranqüila, cessamos com o desejo e então despontamos para a realidade. De suma importância é não cometermos equívocos na prática de meditar. Meditação não é concentração. Embora seja comum, métodos meditativos como se concentrar em uma música, quadro, palavra ou qualquer outro subterfúgio, devemos saber que isto não pode ser considerado como meio de meditar. Quando se se concentra em algo desse tipo, não se está meditando e sim fixando a mente em um processo de exclusão. Com isso, despende-se uma energia desnecessária na tentativa de excluir, de desviar, expulsar os pensamentos invasores, que se multiplicam enquanto há um esforço para “se concentrar”. Meditação é compreensão. Compreender significa dar o significado e o valor correto a todas as coisas. Somente quando compreendemos alguma coisa é que nos libertamos dela. E uma meditação eficaz deve ser a que nos traz clareza e liberdade. Meditar é um processo de auto-conhecimento, de investigação de si mesmo. Se não conseguimos nos compreender, como conseguiremos entender a realidade? Um ser que não busca se compreender está destinado à confusão e à ilusão, que são geradoras de sofrimento. A meditação desperta no indivíduo a realização de como a natureza de tudo é ilusória, semelhante ao sonho. Assim, o começo da meditação é estar cônscio do modo como atuam os pensamentos e os sentimentos, podendo dar-lhes a importância correta, sem perda de tempo ou energia. Essa mente superficial, que está ocupada com as tarefas diárias, precisa compreender o significado real de cada coisa e, por si própria, produzir a tranqüilidade e quietude, através da prática disciplinada da meditação. Ela é o meio de transcendermos as ilusões do plano terreno. O primeiro estágio para alcançarmos o estado de um ser desperto. O caminho para a iluminação. Uma breve lenda indiana, intitulada de "A Iluminação": Numa visita que Narada fazia a Krishna, em Dwáraka, o sábio pediu ao Senhor: -Gostaria de saber o que é Maya de verdade. Pode me explicar, Senhor? -Narada, Maya não pode ser explicada nem entendida por palavras. Tem que ser compreendida. Mas venha comigo ao deserto, veremos lá. Depois de andarem um bom pedaço deserto adentro, Krishna parou de repente: -Não posso mais caminhar, Narada. Minha garganta está seca. Tome este vaso e... me traga um pouco de... água, por favor! -Certo, Krishna. Espere um momento que já lhe trago água. Narada foi procurar água e avistou, ao longe, um ajuntamento de casas que parecia um pequeno oásis. Correu para lá e achou um poço, que maravilha! Nele, uma moça lindíssima tirava água, e Narada logo pensou que era uma deusa! Ela lhe deu a água, mas ele, em vez de correr com a água para Krishna, seguiu-a até a sua casa, completamente esquecido da sede do amigo e de Maya também. À porta da casa onde ela entrou, Narada encontrou seu pai. Apaixonado, Narada lhe pediu a mão da filha em casamento, ao que o ancião respondeu: -Por que não? Você é jovem, saudável e forte. Só que o homem que se casar com minha filha terá que morar nesta casa e permanecer na aldeia. Concorda? -Isto é tudo? Claro que concordo! - respondeu Narada, super encantado pela beleza da moça. O casamento se realizou e o sogro de Narada faleceu logo depois. Assim, ele teve que assumir todas as responsabilidades da casa. Teve quatro filhos e, além de cuidar das plantações da família, colheita e comércio, ajudava a mulher nos trabalhos domésticos e na atenção às crianças. Quando estava no auge do sucesso financeiro e profissional, certa noite a aldeia foi varrida por um ciclone e chuvas fortíssimas, que tudo arrastaram à sua passagem. Desesperado, abandonou a casa com a família num barco, mas com a violência dos elementos em fúria, o pequeno barco virou e eles se afogaram, pois Narada não conseguiu salvá-los, exceto a si próprio. Uma onda imensa o jogou na praia, chorando a perda da família. No auge do desespero, ouviu uma voz dentro do coração: -Narada, estou com sede, onde está minha água? Surpreso, Narada abriu os olhos e encontrou Krishna, sorrindo, no deserto onde o deixara. Que estranho! Mas, ainda desesperado pelos últimos acontecimentos, pediu ajuda à Krishna: -Krishna! Minha esposa! Meus filhos! Traga-os de volta à vida, eu Lhe suplico! O Senhor tentou acalmá-lo, explicando o que realmente tinha acontecido: -Volte à razão, Narada. Nunca existiu nenhuma esposa nem filhos. Era tudo Maya, meu amigo. Admirado e agradecido, Narada disse à Krishna: -Sou-Lhe imensamente grato, Krishna, por esta iluminação. A vida é uma grande e forte ilusão, da qual é difícil, às vezes, escaparmos. Só com Sua graça poderemos vencer esta ilusão. “Dhyâna, tuas portas de ouro, nos livram da deusa Maya” Monique Marques Castro Membro da Ordem Guimel |