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EVOLUÇÃO X CRIACIONISMO OU UM NOVO CAMINHO PARA A CIÊNCIA E RELIGIÃO?
Atualmente, vemos vários grupos de pesquisa se debruçando sobre as crenças dos povos, até então tidas como coisa sem importância por não possuir comprovação científica. Isso denuncia uma crescente busca pelo impalpável, não só por parte da Ciência mas também da Humanidade, ainda que só sejam obtidos indícios dele. Majoritariamente, a comunidade científica se mantém distante do campo religioso e místico, mas somos todos seres humanos, e tanto os cientistas quanto os religiosos procuram elucidar as mesmas questões: o que é a vida? qual a finalidade da existência? de onde viemos? o que somos? para onde vamos? A diferença está no meio utilizado para sanar estas dúvidas. Para alguns, basta o que está nas Sagradas Escrituras (a Bíblia, os Vedas, o Corão, a Torá, o Livro de Dzan...), mas para outros faz-se necessário conhecer o passo-a-passo dessas respostas em um nível mais concreto. Esse nível mais concreto que a Ciência proporciona se apoia em certos critérios que foram, e são, extenuamentemente debatidos para tornar o resultado do estudo científico o mais confiável possível.
O método pelo qual se chega ao conhecimento é o ponto mais importante. Se for utilizada uma metodologia ou uma linha de raciocínio falha, obviamente os resultados do estudo também serão falhos. Por isso, foi desenvolvido o Método Científico, que consiste em resolver de problemas por meio de hipóteses que possam ser testadas através da observação e da experiência. O Método Científico utiliza Leis para explicar os fatos naturais. Estas Leis são obtidas a partir de hipóteses já confirmadas experimentalmente. Ex: Lei da Gravitação Universal, Isaac Newton (1642-1727) As Teorias Científicas são formadas por uma reunião de leis, definições, conceitos e hopóteses interligados e coerentes. Elas possuem um caráter explicativo bem mais amplo que as Leis.
O cientista incorre em erro quando tenta fazer a ciência cumprir o papel de religião em sua vida e nela encontrar o único alento para suas dúvidas e inseguranças, repelindo tudo o que não tem fonte científica, já que o conhecimento científico possui um limite: a sensibilidade do método. Desde o século XIX, têm-se tentado a mescla Religião-Ciência de maneira mais explícita: o Kardecismo, a Teosofia e outros movimentos místico-religiosos buscam essa afinização com o meio científico, até mesmo para saírem do status de "crendice" frente à opinião pública, aos seus próprios membros e às religiões mais antigas, como o Cristianismo e o Hinduísmo. Estas nunca se preocuparam em convencer pela lógica, pois a história e a cultura dos povos onde prevalecem colaborou para tornar esse apelo desnecessário. Hoje em dia, a abundância quase sufocante de informação torna o ser humano, principalmente o ocidental, mais exigente quanto à procedência do que servirá de base para suas crenças e princípios éticos. Talvez, por observar isso alguns segmentos religiosos tenham visto na Ciência um meio de ampliar sua área de influência. É o caso dos Criacionistas. - Criacionismo - movimento fundamentalista cristão que rejeita muito da ciência moderna por contrariar as interpretações literais da Blíblia, principalmente do Gênese. - Criacionismo Científico e "Projeto Inteligente" - Principalmente nos EUA, os criacionistas são insentivados a cursar faculdades de Biologia, Geologia e áreas afins para buscar , em parte via Método Científico e em parte tendo a Bíblia como texto base, evidências que sustentem o relato bíblico como documento fiel da origem de tudo. Atacam mais enfaticamente a Teoria da Evolução, de Darwin* , elaborando teses como o "Projeto Inteligente", segundo o qual os seres vivos seriam complexos demais pra terem evoluído através de mutações aleatórias e da seleção natural ( para eles, a Terra não teria mais do que 6.000 anos de idade), atribuíndo tal complexidade a um "projetista inteligente" (Deus). Para realizar seu intento, os criacionistas reinvindicam leis que incluam o "Projeto Inteligente" no currículo escolar nas localidades onde possuam influência política. Recentemente, porém, essa área de iinfluência política cresceu muito, já que o atual presidente dos EUA, G. W. Bush, manifestou seu apoio à causa criacionista (matéria do jornal O Globo, 21/08/2005). Além dos criacionistas, também os Hare-Krisna pretendem defender suas Escrituras (os Vedas) com bases científicas. Recentemente, foi publicado um livro chamado 'Forbidden Archeology: The Hidden History of the Human Race' ou As Origens Secretas da Raça Humana, escrito pelo Arqueólogo e membro do Instituto Bhaktivedanta, Michael Cremo. Nele, o autor defende que o Homem existe desde o início da história da Terra e conviveu com dinossauros e outros seres já extintos, baseando-se em relatos e publicações arqueológicas do século XIX que foram deixadas de lado pela Ciência atual por contradizerem a Teoria da Evolução, segundo ele, e também porque se sabe que nessa época, não se fazia interpretação da paisagem geológica, ou seja, os sítios arqueológicos eram mexidos, destruídos e esperavam que o objeto encontrado falasse por si só, fora do contexto em que foi encontrado. Um dos dados apresentado por Cremo, são artigos do século XIX, de Fiorentino e Carlos Ameghino, primeiros paleontólogos da América do sul, que relatam o achado de 1 crânio semelhante ao humano numa formação geológica datada de 1,5 milhões de anos e, em outro sítio, bolas de pedra com círculos concêntricos esculpidos ao seu redor que seriam do Plioceno (3,7 milhões de anos, aproximadamente) que "não poderiam ter sido feitas por outras mãos que não as humanas".
Ações na justiça têm conseguido conter as investidas criacionistas, pois estas são consideradas uma violação da Constituição por requerer apoio governamental à interpretação da Bíblia de um grupo sectário. No campo da opinião pública, os cientistas se utilizam de artigos científicos direcionados contra os argumentos criacionistas. Ex: Donald U. Wise, geólogo, ex-cientista-chefe de um escritório da NASA de exploração lunar, em seu artigo 'Creationism's Geologic Time Scale' (American Scientist ,vol 86, março-abril 1998), propõe um ataque ponto-a-ponto ao criacionismo científico e seus proponentes da "Terra jovem". Entre outros itens, traçava comparações entre o que defende a ciência moderna e o criacionismo no que se refere à Semana da Criação e o Dilúvio de Noé.
A história mostra que o que era inteiramente pertencente ao campo místico encontrou respaldo na ciência assim como várias mistificações foram expostas e desmascaradas por ela. Mostra também que, com o constante aperfeiçoamento das técnicas, procedimentos e equipamentos, a Ciência, por si só, se aproxima do que é místico. Vários foram os mensageiros desta fusão Religião-Ciência (o Kardecismo, a Teosofia e outros...) e não podem ser ignorados. Esta fusão será uma realidade num futuro bem próximo. A Homeopatia, tão enxovalhada no meio científico, tem um número crescente de publicações em revistas conceituadas, embora sempre camufladas sob o título 'High Dilutions' (Altas Diluições) e é uma prova de que esse futuro será alcançado. Tudo o que necessitamos é não fazer da fé cega (essa "faca amolada"), seja na Ciência ou na Religião, ou na Filosofia, uma defesa contra o que é novo, pois assim impedimos que ocorra a Evolução, no seu sentido esotérico. Quando aceitamos o convite ao raciocínio, nos damos a chance de desenvolvermos o nosso mental em toda a sua potencialidade, concreta e abstrata, e contribuímos para que o nosso microcosmos transforme o macrocosmos em que estamos imersos, auxiliando-o a encontrar o mesmo progresso. É assim que se alcança a perfeição: coletivamente. Portanto, esse debate é algo extremamente benéfico, pois cria oportunidade para que haja movimento. E no Universo, tudo está em movimento.
"A aquisição da verdade é o mais elevado dos ideais humanos." Suelen Braga |