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ISLAMISMO



Os historiadores começam a prestar atenção nos árabes somente a partir do século VII depois de Cristo, quando surge Maomé, fundador do Islamismo, principal religião arábica. Antes dessa época, sua presença na história mundial era secundária. Aparecem, geralmente, ligados à vida de outros povos, mas nunca exercendo o papel principal. Assim, os anais históricos falam dos egípcios, judeus, assírios, babilônios, fenícios, persas. Sobre os árabes propriamente ditos há poucas referências. Mas eles já existiam.

Como viviam esses povos árabes?

É preciso considerar as peculiaridades geográficas da grande península arábica, que é quase totalmente formada de áridos desertos. As áreas férteis são poucas e pequenas. Por isso, a agricultura só podia ser praticada por poucos. Os excedentes eram forçados a emigrar, tendo que formar tribos nômades, encontrando o sustento no próprio deserto.

Para sobreviver no deserto, os árabes desenvolveram uma organização social e costumes muito especiais. Praticavam a rapina, o roubo, mas combinavam isso com extremo respeito à hospitalidade e com um código de honra admirável. As normas eram rígidas, permitindo as transgressões de maneira que, aos olhos ocidentais, pareciam, no mínimo, cruéis. Sua religião era povoada por seres maléficos, demônios (chaitãm), gênios (djins) e manes (gûl), potências espirituais que interferiam na vida cotidiana dos homens. Essas potências podiam ser manipuladas e convertidas em protetoras.


Alá, Deus Único

A grande obra de Maomé foi submeter às diversas divindades arábicas a uma autoridade única, a um só deus, Alá. A adoção desta nova religião significou uma transformação total na vida do povo árabe.

O Islamismo se apresenta como religião sucessora das duas que já haviam nascido na área: o Judaísmo e o Cristianismo. A religião hebraica, que se desenvolveu com Abraão e Moisés, tinha consciência de sua novidade: para os judeus, Jeová é o único Deus verdadeiro em todo o universo. O Cristianismo, por sua vez, apresenta Jesus como o Messias salvador anunciado pelos profetas judeus. Ele surge como o filho de Jeová.

A religião dos árabes herda tradições de ambos. Da mesma maneira que judeus e cristãos, a primeira tarefa dos islamitas foi combater os cultos idólatras e promover a crença numa única divindade superior. Maomé não foi o único autor disso. A convivência anterior dos árabes com judeus e cristãos havia mostrado que a “crença em um único deus”, ou seja, o monoteísmo, era uma alternativa boa para eles. Paralelamente, o politeísmo tradicional, com seu excesso de divindades, impedia a unificação social.

Assim, a tarefa de Maomé já estava garantida pela deterioração do politeísmo tribal. A nova religião é apresentada por ele como a última verdade e ele mesmo como o último dos profetas (Cristo, por exemplo, surge como um dos seus percussores). Os árabes, até então dispersos e vivendo em regime exclusivamente comunitário, unificam-se sob a nova religião, surgindo como um povo dotado de cultura e costumes homogêneos.


Do Índico ao Atlântico

Poucas religiões tiveram, desde o seu início, um molde político tão marcado. O Islamismo surge com uma religião de Estado, como uma força de unificação nacional. Para criar este Estado, ainda inexistente, só havia um meio: a guerra. Assim, o nascimento religioso e político do Islamismo é acompanhado da estruturação de um poder militar. Este foi alcançado colocando-se a seu serviço todo o esforço que as tribos empenharam em seus eternos combates fratricidas.

A fé em Alá fundava uma comunidade nacional de fiéis, desaparecendo as diferenças de sangue entre os irmãos de culto. Conjugadas as forças que antes se opunham, surgiu um enorme poder que servia para propagação da fé. Todos obedeciam ao mesmo deus e se instruíam no mesmo livro sagrado, o Corão.

O êxito do Islamismo foi fulminante. Em algumas décadas dominou toda a Arábia e o norte da África, chegando por um lado até a Espanha e, por outro, até a Grécia. Como explicar tal êxito?

A primeira razão era que não havia nenhuma outra religião rival na área. O Judaísmo havia se fechado sobre si mesmo, tornando-se uma religião exclusiva do povo hebreu. O Cristianismo quase renegara suas origens orientais para melhor adaptar-se à cultura européia. Ficou então um vazio cultural que foi ocupado pelo Islamismo. A essa maturação da oportunidade espiritual correspondia outra de natureza geopolítica. A luta entre os impérios Persa e Bizantino no oriente próximo havia levado a um crescente enfraquecimento de ambos os poderes e a um grande descontentamento das populações subjugadas. E, da parte dos dominadores, ninguém imaginaria que de uma Arábia tradicionalmente isolada pudesse surgir uma força tão avassaladora como o Islamismo.


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