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MEDO: VIDA E INICIAÇÃO

Na jornada evolutiva do homem ordinário, chega um momento em que ele sente-se vazio, por isso pára e reflete sobre quem ele é, como está a sua vida e se existe algo de realmente verdadeiro nela, algo a que ele possa, com todas as suas forças, se dedicar. Nesse instante de meditação, ele ouve um chamado, mesmo que fraco e distante, para o seu aperfeiçoamento físico, moral e espiritual. Desnorteado e achando que está enlouquecendo, parte para uma série de estudos que desvendem o que acontece com ele e descobre um prazer imenso nisso. Procura com mais ânsia em todas as filosofias e ciências as respostas para as suas primeiras perguntas e para as outras, mais profundas, que surgiram depois.

Quando a febre por conhecimento passa e ele pode ser considerado um homem de intelectualidade abastada, o vazio volta e ele se faz um novo questionamento: "Pra que tanto conhecimento, tanta leitura e empenho se ainda, de concreto, não fiz nada por mim e pelos outros?". Mais uma vez ele se fecha em si e mergulha em meditação, procurando a resposta. O tempo passa e ele nota que tudo que aprendeu não representa nada, porque não houve aplicação; tudo ficou somente no nível teórico e não passou à vida. Percebendo isso, ele empenha-se em praticar e difundir o conhecimento que abarcou: ele vai ao mundo, encara-o e tenta ser corajoso, mas tudo é demasiado cruel e difícil. Ele tem medo.


Emoções e o Corpo Astral

No processo de auto-transformação do ser, ele passa por momentos de profunda descrença e desconfiança. Ele olha para tudo e todos com temeridade, como se uma força estranha fosse arrebatá-lo do seu objetivo final ou como se o seu próprio objetivo final fosse uma mentira. Ele quase perde a fé e a sanidade por causa do medo, o vilão astral que assombra praticamente a todos nós.

Por estar encarnado e preso num corpo físico, o homem está condicionado à Lei de Polaridade e, por isso, oscila entre o extremo da felicidade e da infelicidade. É difícil achar o ponto de equilíbrio e essa ansiedade por se equilibrar gera dúvidas e medos de nunca se conseguir alcançar o ponto pretendido.

Sabendo disso, vemos que quanto mais ansiedade temos, mais o ponto equilibrante se afasta de nós. Se não houver calma e a nossa alma não se pacificar, o caminho da Senda Espiritual ficará cada vez mais distante. É preciso ter em mente que a estrada que conduz à Iluminação é longa e o seu trajeto, repleto de obstáculos, por isso a serenidade e o pensamento correto devem tomar o lugar da inquietação e ilusão. Devemos usar a confiança no Ser Interno como arma principal e, sem hesitar, manter os olhos focados naquela Luz lá na frente.

Por isso, é extremamente importante termos confiança em nós mesmos e também não termos medo de possíveis situações desconfortáveis. A chave para isso é o domínio do corpo astral, aquele que é a sede das emoções. O seu símbolo é a água, "que também é fluida e móvel, tomando a forma e a cor do recipiente que a contém, refletindo a menor luz ou sombra".

A emoção, com os seus estados pouco duradouros, impede uma comunicação estável com o Mental, nos tornando agitados e inquietos. Ela produz um estado nebuloso, no qual não se consegue pensar, paralisa qualquer atividade que exija concentração e desestabiliza qualquer pensamento. O homem que é arrebatado constantemente por ela, acaba se tornando debilitado física e psicologicamente, oscilando sempre entre a saúde e a doença, o bem e o mal-estar.

Enquanto não se tem o controle do corpo astral, o homem fica estagnado, numa quase inércia, só saindo deste estado quando uma paixão o move. Torna-se, por conta disso, triste e infeliz, porque não consegue uma conexão com o duradouro e permanente. Quando algo negativo o assola ele se fecha ainda mais e teme que essa emoção se aposse dele novamente. Guarda em seu subconsciente esse temor e, em situações semelhantes àquela vivida, tem as mesmas sensações. Isso torna-se um vício, nem ele mesmo mais sabe porque sente isso, mas, como não raciocina, só tem Kama-Manas (kama=desejo, manas=mente), transforma-se em escravo desse medo infundado, dando vida, plasmando uma forma-pensamento que se agarra ao seu aura e pede alimento a qualquer hora.

O medo, que antes não deveria existir ou ser mesmo um pequeno aviso de perigo, é o maior mal da humanidade. Ele apreende os homens e paralisa suas ações, os tornando praticamente mortos e sem vontade. Era para estarmos manipulando o Mental e o que vemos é a maioria dos seres ainda em estado Kama-Manásico, alimentando a névoa obscura que encobre o nosso planeta. Essa névoa é um grande miasma, "formada pelas vibrações astrais de toda a humanidade e povoada das mais terríveis e angustiosas formas-pensamento, criadas pela dor e emoções penosas que se estão desenvolvendo no momento presente e pelos sofrimentos do passado, que impressionaram de tal modo a substância astral que construíram formas-pensamento persistentes e vitais.".

Não podemos alimentar mais esse grande ser, não podemos dar-lhe mais força. É só lermos jornais e olharmos a nossa volta para ver que grande bicho criamos e como ele tem fome e devasta por isso. É preciso equilibrar e serenar o Corpo Astral, através de práticas constantes de meditação e respiração.


Tipos de medo e métodos para superação

Depois de obter um certo controle das emoções, uma das mais terríveis ainda continua a se insinuar: o medo. Ele não se apresenta sempre puro, mas sim se valendo de várias máscaras como a descrença, a falta de confiança, a timidez. É preciso ter vigilância dos sentidos para detectá-lo e logo o cortar pela raiz.

O medo possui duas categorias distintas: o consciente e racional e o inconsciente e irracional.

A primeira categoria se caracteriza pelas experiências negativas já vividas, onde se passa por uma situação ruim e toma-se conhecimento das dificuldades, perigos e sofrimentos que podem vir a se repetir. Também esse medo pode se apresentar como sendo parte de nós mesmos, do nosso próprio caráter ou temperamento. Exemplos: medo do sofrimento, medo da morte, medo do futuro, medo da solidão, medo do insucesso.

A segunda categoria, a dos medos inconscientes e irracionais, tem sua origem no subconsciente. Apresentam-se de forma nebulosa, sem uma causa plausível, "sob a forma de mal-estares variados e estados emotivos". São aquelas ansiedades e angústias que vemos em tantas pessoas.

Passando-se de um limite, podem se tornar doenças graves, incapacitando o indivíduo em qualquer campo de ação, seja ele físico ou espiritual. Dele advém as fobias e as inibições.

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